CENTRO

Casa do Povo

Centro cultural

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“Não é muito comum do modernismo fazer uma fachada tão comunicativa assim”, afirma o arquiteto Frederico Costa sobre o projeto pioneiro do espaço onde trabalha, a Casa do Povo. Desenhado pelo escritório do arquiteto Ernest Mange, o centro cultural foi construído entre 1947 e 1953. “Quando esse prédio foi erguido, o Ibirapuera e outras criações modernistas ainda estavam começando a aparecer. O estilo não era comum como virou depois de Brasília.”

Reaberto em agosto de 2013, quando completou seis décadas de história, o local continua ligado à comunidade judaica. Também incorporou os coreanos e os bolivianos, chegados em tempos mais recentes ao bairro do Bom Retiro. Isso se refletiu nos projetos do centro cultural, como o jornal Nossa Voz. Escrita em ídiche em sua primeira fase, que rodou até metade da década de 60, a publicação hoje é impressa em português, hebraico, coreano e espanhol.

Além do jornal, a Casa do Povo abriga o ateliê da estilista Karlla Girotto, o coletivo Ocupeacidade e a companhia de dança Lote#. Com essas iniciativas, mantém viva a tradição de agitação cultural da Casa e consegue construir uma nova narrativa, voltada à experimentação artística. “Usamos a história desse lugar como uma ferramenta para entender o presente”, explica a coordenadora Mariana Azevedo, “mas não ficamos presos a isso, precisamos olhar para o futuro.”

Casa do Povo Rua Três Rios, 252, Bom Retiro -23º 31’ 45.33” -46º 38’ 11.95”

O prédio foi construído entre as décadas de 40 e 50 pela comunidade judaica,principalmente os moradores do Bom Retiro. O projeto possui alguns elementos do modernismo, como esse vazio na base. No projeto original, ele não teria as portas, seria um espaço aberto para a comunidade. Frederico Costa

Fachada e entrada da Casa do Povo.

Fachada e entrada da Casa do Povo.

O Taib é um teatro projetado pelo Jorge Wilheim e construído em 1960. Tem um palco italiano, com essa caixa ampla onde a cena acontece, um formato mais clássico e oposto ao teatro de arena. Ele parou de funcionar como Taib na década de 90 e chegou a sofrer uma inundação. Frederico Costa

Teatro Taib, localizado no subsolo da Casa.

Teatro Taib, localizado no subsolo da Casa.

A Scholem Aleichem começou pouco depois da fundação do centro. Recebia alunosda comunidade judaica, mas também filhos de militantes de esquerda, que precisavam ser protegidos da ditadura. A biblioteca da escola tinha desde livros infantis em ídiche até livros políticos em russo. Frederico Costa

Biblioteca da escola Scholem Aleichem.

Biblioteca da escola Scholem Aleichem.

Existe um trabalho de continuidade, mas não é nostálgico, de tentar imitar aquela geração. Nós queremos assimilar o passado, inspirados pelas pessoas que frequentavam esse espaço nas primeiras décadas, mas com uma programação renovada. Mariana Lorenzi

Oficina de impressão do coletivo Ocupeacidade.

Oficina de impressão do coletivo Ocupeacidade.

Várias coisas contribuem para o abandono do centro. Nas décadas de 70 e 80, o Brasil começa a importar uma cultura que mantém as pessoas dentro de casa, muito por causa da televisão. Na mesma época, a ditadura limita o direito de reunião e espaços públicos acabam esvaziados. Chico Daviña

Vista do terraço do centro cultural.

Vista do terraço do centro cultural.