CENTRO

Overground

Estúdio e galeria de grafite

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Conhecido por grafitar o interior de galerias de esgoto, Zezão está acostumado a lugares inóspitos. Talvez por isso não tenha se assustado na primeira visita ao prédio que viraria seu ateliê. Vizinho à Cracolândia, o lugar estava cheio de lixo e entulho, com o forro caindo aos pedaços e o piso podre. O estado do edifício afastou outros locatários, mas não impediu Zezão de ficar com o imóvel.

Batizado de Overground, além de ateliê, o local também virou um espaço de exibição. A exposição que inaugurou a galeria, em agosto de 2013, apresentou o trabalho de Cícero Rodrigues, conhecido como Índio. Usuário de crack, foi incentivado por Zezão a abandonar a droga e iniciar uma trajetória artística.

Em seguida, o espaço apresentou as obras do artista Henrique de Aquino, que trabalha como assistente de Zezão, além da mostra Lendas Urbanas, que reuniu alguns nomes do grafite paulista, como Dédo, Sliks e Pifo. Fora as exposições, o grafiteiro planeja organizar palestras e cursos. “Quero incentivar a arte, especialmente na Cracolândia.”

Overground Alameda Nothmann, 280, Campos Elíseos -23º 31’ 52.79” -46º 38’ 39.72”

Esse prédio tem muita história. Ficou um tempo invadido por usuários, até que a polícia desocupou à força. Foi colocado para alugar, mas ninguém se interessou, porque estava destruído e tinha um clima pesado. Quando visitei pela primeira vez, não tinha nem energia elétrica. Zezão


O espaço hoje e antes da reforma.

O espaço hoje e antes da reforma.

Chamei usuários da Cracolândia para ajudar a tirar o entulho. Foram uns 80 sacos de lixo. Depois, a reforma durou mais dois anos e precisei reconstruir o forro, o piso e as janelas. Do prédio original, sobrou só uma parede e um pedaço de forro, que servem como memória do estado que estava. Zezão

Fachada e área interna da Overground.

Fachada e área interna da Overground.

Picho, grafite, pintura, faço um pouco de tudo. Posso usar o pincel e pintar uma linha mais fina ou usar o traço mais largo do spray. Comecei pintando palavras, depois minha arte caminhou para o abstrato, mas ainda tem esse elemento da palavra. Cada forma que crio lembra uma letra. Zezão

Obra de Zezão exposta na Overground.

Obra de Zezão exposta na Overground.

Queria escolher uma cor específica para meu trabalho, que nem os Gêmeos usam vermelho e amarelo. Fiquei no azul e, como trabalho em esgotos e córregos, as pessoas começaram a relacionar com a água. Mas a escolha está mais ligada à sensação de paz transmitida pelo azul. Zezão

Trabalhos em andamento e estoque de tintas.

Tintas, trabalhos em andamento e obras finalizadas.

Não costumo usar telas ou emoldurar. Não é o meu perfil. Até as obras que mando para galerias são feitas com coisas que encontro na rua. Gosto de aproximar o lixo da arte. Faz parte da minha forma de trabalhar, sempre pintei em esgotos e córregos, em lugares detonados. Zezão


Obra em pedaços de madeira trazidos da rua.

Trazidas das ruas, pedaços de madeira são transformados em arte.