CENTRO

Pessoal do Faroeste

Companhia de teatro na Boca do Lixo

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Na esquina das ruas do Triunfo e General Osório, perto da Estação da Luz, os frequentadores de um barzinho costumam assistir a peças de teatro – ou, ao menos, trechos delas. A duas portas de distância, fica a sede da companhia Pessoal do Faroeste, grupo criado em 1998 que já realizou documentários, peças e intervenções sociais e artísticas na região.

Alguns de seus espetáculos transbordam do palco em direção à rua. Foi assim em Homem Não Entra, cujas cenas finais se passam em plena Boca do Lixo, área notabilizada como epicentro da produção cinematográfica brasileira dos anos 20 e 30, depois como centro do cinema independente, nos anos 60 e 70. O retorno à região e a busca por uma maior integração entre o que faz dentro e fora do teatro fazem parte da preocupação social do grupo.

Apesar de ter se mudado para o local há menos de dez anos, a Pessoal do Faroeste sempre buscou selecionar áreas degradadas para adotar como sede. Passou primeiro pelo Museu da Energia, na região da Cracolândia, e agora está na Boca do Lixo. Mas nem mesmo a importância histórica da região faz com que seja preservada, diz Faria. “Não dá para entender por que o centro não tem bares e festas à noite”, diz. “A festa está na Vila Madalena, nos Jardins, mas a vocação é aqui.”

Pessoal do Faroeste Rua do Triunfo, 301, Luz -23º 32’ 8.36” -46º 38’ 19.58”

Temos esse nome porque montamos uma versão da Faroeste Caboclo, do Renato Russo, no final dos anos 90. Ocupamos o KVA, na Cardeal Arcoverde, um centro cultural para jovens que hoje não existe mais. Paulo Faria


Interior da sede da Pessoal do Faroeste, na Luz.

Interior da sede da Pessoal do Faroeste, na Luz.

O primeiro contato da companhia com o centro aconteceu nos cortiços e na Cracolândia, em 2000. Nós ganhamos um edital e montamos a peça entre as alamedas Cleveland e Nothman, no casarão onde fica o Museu da Energia. Paulo Faria

Camarim, jardim e escritório da companhia.

Camarim, jardim e escritório da companhia.

Por conta do trânsito entre a antiga rodoviária da Luz e a Sé, que passava pela Boca do Lixo, todos os hotéis estavam aqui. Você ainda encontra alguns deles abertos. As prostitutas vêm para cá exatamente porque é uma região de hotéis. Paulo Faria


Vista da região da Boca do Lixo, no centro.

Vista da região da Boca do Lixo, no centro.

Não entendemos essa palavra, “revitalização,” como se não tivesse vida. A vida existe. São esses sambistas, essas prostitutas, esses usuários. É preciso requalificar, reocupar, ressignificar. Mas não revitalizar, porque é uma pretensão muito grande dizer que não há vida aqui. Paulo Faria

Paulo Faria, diretor da companhia.

Paulo Faria, diretor da companhia.